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CASACOR Minas 2019 | Suíte dos Convidados

  • Foto do escritor: castromaakaroun
    castromaakaroun
  • 14 de jun.
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 1 dia

A edição de 2019 da CASACOR Minas aconteceu em um dos locais mais emblemáticos de Belo Horizonte: o Palácio das Mangabeiras, antiga residência oficial dos governadores de Minas Gerais. Implantado aos pés da Serra do Curral e cercado por uma extensa área verde, o edifício carrega não apenas importância arquitetônica, mas também parte significativa da história política e cultural do estado.



Foi nesse contexto que desenvolvemos a Suíte dos Convidados, um ambiente inspirado em um dos traços mais marcantes da cultura mineira: a hospitalidade.

Nossa intenção era criar um espaço capaz de acolher de forma genuína, traduzindo em design o cuidado presente no ato de receber. Mais do que um quarto para hóspedes, a suíte foi concebida como um refúgio de descanso, contemplação e bem-estar.



A própria implantação do layout nasceu da observação atenta do espaço existente. A janela do quarto enquadrava uma vista privilegiada da Serra do Curral, e entendemos desde o início que aquela paisagem deveria se tornar protagonista do projeto.

A cama Amélia, desenhada em parceria com a Franccino, foi posicionada como elemento central da composição. Em vez de seguir a organização ortogonal tradicional, optamos por uma implantação levemente inclinada, criando uma relação mais dinâmica com o ambiente e direcionando naturalmente o olhar para a paisagem.

Essa decisão gerou uma segunda descoberta. Ao se deitar na cama, o visitante podia observar, através do espelho incorporado ao cabideiro Ômega, peça também desenvolvida em parceria com a Franccino, o reflexo da Serra do Curral. A paisagem permanecia presente mesmo nos momentos de descanso, ampliando a conexão entre interior e exterior.



A relação com a montanha também orientou a escolha dos materiais. Em uma das paredes próximas à janela utilizamos a rocha Sequoia Brown, um quartzito extraído na região de Barroso, em Minas Gerais, ainda pouco conhecido na época. Seus veios naturais lembravam as linhas sinuosas da Serra do Curral. Mais do que um revestimento, a pedra funcionava como uma extensão da própria paisagem para dentro do ambiente.


A iluminação foi pensada para reforçar essa atmosfera de acolhimento. Ao lado da cama, uma tela tensionada iluminada criava um grande plano de luz difusa, suave e confortável. O elemento assumia quase o papel de uma janela luminosa, contribuindo para a sensação de tranquilidade e bem-estar que orientava toda a proposta.


O mobiliário autoral desempenhou papel fundamental na construção dessa narrativa. A cama Amélia foi desenhada para transmitir conforto através de proporções generosas e linhas suaves, enquanto o cabideiro Ômega reunia espelho, apoio e organização em uma única peça. Ambos foram desenvolvidos especialmente para o ambiente e traduzem a busca por soluções funcionais associadas a uma linguagem contemporânea e atemporal.



A curadoria de arte e objetos procurou estabelecer um diálogo entre diferentes expressões da cultura brasileira, reunindo artistas mineiros contemporâneos, nomes consagrados e peças carregadas de significado pessoal.

Entre os destaques estavam a escultura Pequeno Furacão, de João Castilho, a obra de Efe Godoy e trabalhos de Inimá de Paula. O conjunto era complementado por criações de designers e artistas de diferentes áreas, como o robe utilizado no cabideiro da designer Isabella Alcântara e a almofada da Versace, ampliando as camadas de leitura do ambiente.

Uma das presença especial da suíte era um exemplar de Platycerium bifurcatum, popularmente conhecido como Chifre-de-Veado. A planta pertence à avó de Rodrigo Maakaroun cultivada há mais de vinte anos. Inserida entre obras de arte, mobiliário e objetos de design, ela representava a importância da memória afetiva e das histórias pessoais na construção dos espaços.



A própria história do Palácio inspirou uma das intervenções mais discretas do ambiente. Getúlio Vargas hospedou nesse mesmo quarto, pouco antes de seu falecimento e por ter implementado a carteira de trabalho no Brasil, escolhemos expor uma carteira de trabalho original de sua época, cuidadosamente guardada em uma pequena cômoda bombê da Helô Franco Arte. Apresentada quase como uma joia, a peça convidava o visitante a refletir sobre trabalho, história e legado.



Ao revisitar a Suíte dos Convidados, percebemos um momento importante de amadurecimento do nosso trabalho. O projeto ampliava pesquisas iniciadas em nossa primeira participação na CASACOR e consolidava temas que continuariam presentes em diversos projetos futuros: a valorização da paisagem, a força da materialidade, a integração entre arte e design e a capacidade dos objetos de carregar histórias, memórias e significados.

Mais do que uma suíte, o ambiente procurava traduzir uma forma de receber. Uma hospitalidade silenciosa, construída através da arquitetura, da arte, da luz e das lembranças.


 
 
 

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